Fotografia registra biodiversidade, pesquisas e modos de vida nas Reservas Mamirauá e Amanã

Registros históricos e atuais ajudam a preservar a memória das populações, da biodiversidade e das pesquisas realizadas na região. (Foto: Ricardo Oliveira)

Da Redação – Portal O Login da Notícia

A Amazônia reúne uma importante memória visual de suas paisagens, biodiversidade, populações e transformações ao longo do tempo. Na região do Médio Solimões, no Amazonas, estudos, ciência e pesquisa caminham lado a lado com a fotografia. Para celebrar o Dia Mundial da Fotografia, comemorado em 19 de agosto, o Instituto Mamirauá relembra registros que eternizaram momentos durante suas atividades nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã.

Com um banco de imagens que reúne milhares de fotografias digitais em diversas épocas e centenas de imagens impressas produzidas entre os anos 1980 e o início dos anos 2000, o Instituto Mamirauá guarda parte da história e da memória das populações tradicionais, da biodiversidade e das atividades de ciência e pesquisa desenvolvidas na Amazônia. Esses registros passaram a constituir também uma memória visual das transformações do território e dos avanços nas ações de conservação e desenvolvimento sustentável.

Entre as memórias estão dezenas de fotografias feitas pelo pesquisador José Márcio Ayres e pelo fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, que tiveram participação importante na história da Reserva Mamirauá. Os registros remontam a diferentes períodos, desde as pesquisas iniciadas por Ayres na região, na década de 1980, passando pela criação da Estação Ecológica Mamirauá, em 1986, até a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em 1996, primeira unidade de conservação com essa categoria no Brasil.

(Foto: Ricardo Oliveira)

A experiência de fotografar e pesquisar esses territórios também revela as diferenças entre as duas reservas. Para Miguel Monteiro, fotógrafo e pesquisador, atuar em Mamirauá e Amanã permite acompanhar diferentes paisagens, espécies e modos de vida das comunidades tradicionais.

“Em Mamirauá, as mudanças provocadas pelos ciclos de cheia e seca fazem parte da dinâmica da paisagem e da vida das comunidades. Já em Amanã, os ambientes de várzea e terra firme permitem outros registros, com trilhas que avançam para o interior da floresta e áreas ainda pouco estudadas pela ciência. Segundo Miguel, as duas reservas são complementares e oferecem diferentes possibilidades de observação da fauna, das paisagens e dos modos de vida amazônicos.

Entre as imagens emblemáticas produzidas já nos anos 2000 está uma fotografia do fotógrafo amazonense Ricardo Oliveira, que registrou um manejador de pirarucu carregando o enorme peixe nas costas, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Para Ricardo Oliveira, que considera a imagem uma das mais importantes de sua carreira, a Reserva é um lugar sagrado.

“Como fotojornalista, eu vejo essas reservas como lugar sagrado e, para mim, é um altar dos deuses. A gente precisa entrar, pedir permissão aos ancestrais e às entidades da natureza. São experiências que sempre trazem grandes aprendizados”, destacou o fotojornalista Ricardo Oliveira.

Ao longo dos anos, diversos fotógrafos contribuíram e continuam contribuindo para iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, incluindo programas e projetos com a atuação do Instituto Mamirauá. Em diferentes períodos e contextos, esses profissionais ajudam a registrar, valorizar e dar visibilidade à biodiversidade, aos territórios e às populações amazônicas. Entre eles estão Luiz Cláudio Marigo, Bernardo Oliveira, Pilar Olivares, Amanda Lelis, Bruno Kelly, Michel Dantas, Adriano Gambarini, André Dib, Ricardo Oliveira, Marco Raccichini, Miguel Monteiro, Tácio Melo, Laís Teixeira, André Zumak e muitos outros que já visitaram a região.

A fotografia também caminha de mãos dadas com pesquisa e ciência

No Instituto Mamirauá, a fotografia integra o cotidiano de pesquisas, expedições e ações de conservação realizadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã. Os registros produzidos em campo ajudam a documentar espécies, ambientes, comunidades e diferentes etapas dos trabalhos científicos, além de contribuir para a comunicação e a divulgação do conhecimento produzido na região.

“A fotografia é uma ferramenta importante para a pesquisa e para a conservação, porque ajuda a documentar espécies, ambientes e diferentes momentos dos trabalhos realizados em campo. Esses registros também ajudam a construir com a memória visual das transformações da paisagem e da biodiversidade amazônica”, destaca André Zumak.

Com o avanço das tecnologias de imagem, novas ferramentas também passaram a apoiar o trabalho de pesquisadores. Câmeras fotográficas e equipamentos de monitoramento são utilizados em diferentes estudos para registrar animais, ambientes e mudanças no território. As armadilhas fotográficas, por exemplo, permitem acompanhar a fauna de forma contínua, inclusive em locais de difícil acesso e com menor interferência humana. Pesquisas realizadas na Reserva Amanã já utilizaram esse tipo de tecnologia para registrar espécies de mamíferos e aves, demonstrando como as imagens podem gerar dados para estudos sobre biodiversidade e conservação.

A fotografia na região amazônica

A história da fotografia na Amazônia começou em meados do século XIX, poucos anos depois da invenção do daguerreótipo, em 1839. Os primeiros registros foram realizados por fotógrafos, viajantes e pesquisadores que percorriam a região em expedições científicas. Em um território ainda pouco conhecido por grande parte do mundo, a fotografia passou a desempenhar um importante papel na documentação de paisagens, espécies, populações e diferentes aspectos da vida amazônica.

Ao longo do tempo, a fotografia tornou-se também uma importante ferramenta para a pesquisa científica. Instituições de pesquisa incorporaram o registro fotográfico às atividades de documentação e produção de conhecimento. As imagens produzidas durante expedições ajudaram pesquisadores a registrar ambientes, animais, plantas, povos indígenas e transformações do território, constituindo acervos que hoje são importantes fontes para estudos históricos, científicos e antropológicos sobre a Amazônia.

Na região do Médio Solimões, essa memória visual também acompanha a história da pesquisa e da conservação. O acervo construído ao longo das décadas permite revisitar paisagens, espécies, comunidades e modos de vida registrados em diferentes períodos, contribuindo para compreender as transformações ocorridas no território.

A fotografia na Amazônia, portanto, ultrapassa o papel de registro. As imagens preservam informações sobre o passado, auxiliam a pesquisa científica no presente e ajudam a comunicar para as novas gerações a diversidade de ambientes, espécies e culturas que fazem parte da região. Nas Reservas Mamirauá e Amanã, esse conjunto de registros também ajuda a contar a história de um modelo de conservação que busca conciliar a proteção da biodiversidade, a pesquisa científica e a permanência das populações tradicionais em seus territórios. A Reserva Mamirauá foi criada em 1996, enquanto a Reserva Amanã foi criada dois anos depois, em 1998.

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