Mosquito que transmite o vírus oropouche é conhecido como maruim ou pólvora e mede 2 milímetros — Foto: Reprodução/EPTV
Da Redação – Portal O Login da Notícia
MANAUS – O governo do Amazonas reconheceu o surto Febre do Oropouche no Amazonas, após 1.674 casos registrados da doença em 2024. A arbovirose tem sintomas semelhantes aos da dengue e tem rápida disseminação.
A febre de Oropouche é uma doença viral causada pelo vírus Oropouche, que pertence à família dos Bunyaviridae. Ela é transmitida principalmente por mosquitos conhecidos popularmente como maruim ou meruim, que é 20 vezes menor que o Aedes aegypti.
A doença recebe esse nome devido à sua descoberta inicial na cidade de Oropouche, no estado do Pará, Brasil, em 1961. Desde então, casos da doença foram registrados em várias regiões da América do Sul e Central. Os sintomas incluem febre, dores musculares e articulares, dor de cabeça, fadiga e às vezes erupção cutânea.
Segundo o G1, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas afirmou que o surto da doença no Amazonas foi reconhecido na sexta-feira (1º), com base nas orientações fornecidas pelo “Guia para Investigações de Surtos ou Epidemias”, do Ministério da Saúde.
Mosquito maruim transmissor da Febre do Oropouche — Foto: Gato Júnior, da Rede Amazônica
Ainda de acordo com o G1, a fundação disse, ainda, que um surto de uma doença ou um evento incomum em saúde pública é caracterizado pelo aumento no número de casos além do esperado, como tem acontecido com a Febre do Oropouche no Amazonas.
Em situação de surto, o aumento repentino de casos leva em conta a ocorrência da doença em uma área específica durante um determinado período de tempo.
A doença
A disseminação rápida da febre de Oropouche pode ser atribuída a vários fatores:
- Mosquito vetor eficiente: O vírus da febre de Oropouche é transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culicoides, que são abundantes em muitas regiões da América do Sul e Central. Esses mosquitos podem se reproduzir rapidamente e têm uma ampla distribuição geográfica.
- Movimento humano: As pessoas infectadas podem transportar o vírus para novas áreas quando viajam, facilitando a disseminação da doença para regiões onde o vírus ainda não estava presente.
- Condições ambientais favoráveis: As condições ambientais, como temperatura e umidade, podem favorecer a reprodução e a sobrevivência dos mosquitos vetores, aumentando assim o potencial de transmissão do vírus.
- Falta de imunidade da população: Em áreas onde a febre de Oropouche é emergente, a população pode não ter imunidade prévia ao vírus, o que facilita a propagação da doença entre pessoas suscetíveis.
Esses fatores combinados contribuem para a rápida disseminação da febre de Oropouche em áreas onde o vírus está presente.
Entenda o que é Febre do Oropouche
Depois de picarem uma pessoa ou animal infectado, os mosquitos mantêm o vírus em seu sangue por alguns dias. Quando esses mosquitos picam outra pessoa saudável, podem passar o vírus para ela. Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da doença são parecidos com os da dengue e da chikungunya, como a dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, náusea e diarreia.
Embora a Febre do Oropouche possa causar complicações sérias, como meningite ou encefalite, que afetam o sistema nervoso central, esses casos são raros. A doença não possui tratamento específico.
A identificação dos casos confirmados da arbovirose é feita a partir de investigação dos descartados de dengue. A confirmação ocorre por critério laboratorial ou clínico-epidemiológicos.
Casos de Febre do Oropouche no Amazonas
Até o momento, o Amazonas conta com 1.674 casos confirmados para Febre do Oropouche. Os dados constam no Informe Epidemiológico das Arboviroses, que se refere ao período de 1° de janeiro a 29 de fevereiro de 2024.
O último informe com a atualização no número de casos da arbovirose foi divulgado, na quinta-feira (29), pela Fundação. Os informes são divulgados, semanalmente, às quintas-feiras.
A identificação de Febre do Oropouche ocorre a partir de investigação dos descartados de dengue, segundo o órgão. A confirmação é feita por critério laboratorial.
Enfretamento à Oropouche
A Fundação de Vigilância em Saúde ressalta que, para o enfrentamento da doença, tem desenvolvido ações de mobilização social. Entre as ações, tem feito distribuição de materiais educativos, promoção e apoio em eventos alusivos ao combate às arboviroses.
Também tem feito veiculação em mídia de informativos para eliminação de criadouros. Segundo a fundação, esta é uma das estratégias para evitar criadouros do mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou meruim.
Prevenção
As medidas de prevenção contra a Febre do Oropouche envolvem evitar a picada do mosquito infectado.
O órgão recomenda que ao adentrar em locais de mata e beira de rios, a população deve fazer uso de repelentes e roupas compridas, além de usar cortina e mosquiteiros em áreas rural e silvestre.
(*) Com informações do G1