Amom aciona CGU e MPF para investigar suspeita de vazamento no Enem 2025 e cobra apuração técnica, transparente e conclusiva sobre falhas no exame. (Foto/Divulgação)
Da Redação – Portal O Login da Notícia
Brasília/DF – O deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) protocolou, nesta quarta-feira (19), um pedido formal de providências à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Ministério Público Federal (MPF) para apurar o possível vazamento de questões do Enem 2025, aplicado no último domingo (16). Nos ofícios, o parlamentar pede uma investigação “célere, técnica e conclusiva” sobre falhas na segurança do exame e eventuais responsabilidades de agentes públicos e privados.
De acordo com os documentos, denúncias feitas por candidatos e amplamente divulgadas nas redes apontam que questões da prova teriam circulado previamente em um curso preparatório online, transmitido ao vivo no dia 11 de novembro de 2025. A aula, ministrada por um instrutor identificado como Edcley de Souza Teixeira, exibiu conteúdos com estrutura, enunciados e alternativas muito semelhantes às questões que depois apareceram no caderno oficial do exame.
Após a repercussão, o Ministério da Educação reconheceu a anulação de três questões por “similaridade suficiente” com o material divulgado e informou o acionamento das autoridades policiais para apuração da origem do vazamento e da cadeia de custódia dos itens. Para Amom, porém, a simples anulação não é suficiente para dar segurança aos milhões de estudantes que dependem do Enem.
“A lisura do Enem não pode ser tratada como detalhe técnico. Se houve violação de sigilo, ainda que em poucas questões, isso abala a confiança de todo o sistema. O mínimo que o Estado deve aos candidatos é transparência total e uma apuração que chegue até o fim, doa a quem doer”, afirma o deputado.
No ofício enviado à CGU, Amom solicita que o órgão use todas as suas competências de controle interno para, entre outras medidas, instaurar procedimento correcional ou investigativo para examinar a cadeia de custódia dos itens utilizados no Enem 2025, identificando possíveis falhas administrativas e vulnerabilidades nos protocolos de segurança e ouvir servidores, gestores e colaboradores do Ministério da Educação e do Inep que tenham tido contato direto ou indireto com o banco de itens sigiloso.
Conforme o ofício, a CGU deve ainda requisitar informações formais ao MEC e ao Inep sobre os procedimentos de controle, integridade e segurança na elaboração, armazenagem, pré-teste e logística da prova; quais unidades, setores, pessoas físicas ou jurídicas tiveram acesso ao banco de itens antes da aplicação; as medidas internas adotadas após a anulação das questões; eventuais relatórios das comissões de segurança, conformidade e integridade.
Adotar medidas cautelares para preservação de provas, incluindo registros de acesso, sistemas internos, comunicações eletrônicas, arquivos, logs, contratos com fornecedores e materiais compartilhados em plataformas externas.
Apurar possíveis ilícitos penais, como violação de sigilo funcional, acesso indevido a sistemas de informação, divulgação não autorizada de material sigiloso e fraude a certame público, com encaminhamento para responsabilização civil, administrativa e criminal dos envolvidos.
Realizar auditoria ou ação de controle interno sobre os fluxos administrativos, financeiros e operacionais ligados ao exame, com foco em legalidade, eficiência e transparência. O deputado também solicita que a CGU informe formalmente seu gabinete sobre as medidas adotadas e os resultados da apuração.
Igualdade de condições e credibilidade do Enem
Para Amom Mandel, o caso não é um “incidente pontual”, mas um sinal de fragilidade estrutural na governança do exame. “O Enem é a porta de entrada para o ensino superior de milhões de jovens, especialmente os mais pobres. Qualquer suspeita de vazamento é, na prática, uma agressão ao princípio da igualdade de condições. Se alguns têm acesso antes, o jogo deixa de ser limpo.”
Na denúncia, o deputado lembra que o Enem é uma política pública essencial para o cumprimento das obrigações constitucionais na área da educação e que sua confiabilidade depende de um regime de sigilo absoluto sobre o banco de itens e de controles internos robustos em todas as etapas – da elaboração à aplicação.
Amom destaca ainda que a atuação dos órgãos federais é fundamental para restaurar a confiança pública no exame. “O estudante não pode sair da prova se perguntando se alguém jogou com cartas marcadas. A CGU tem o dever institucional de ajudar a reconstruir essa confiança, apontando falhas, corrigindo rotas e responsabilizando quem tiver abusado do sistema.”
O gabinete do deputado informou que continuará acompanhando o caso e cobrando transparência do governo federal até a completa elucidação dos fatos.
