Minutos antes de ser atingido, Heber trocou mensagens com a esposa (Reprodução)
Da Redação – Portal O Login da Notícia
O 3º sargento do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos, foi um dos quatro policiais mortos durante a megaoperação das polícias Civil e Militar realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Minutos antes de ser atingido, Heber trocou mensagens com a esposa que revelam a tensão, a fé e o amor que marcaram seus últimos instantes de vida.
Em meio ao intenso tiroteio, a mulher perguntou se o marido estava bem. A resposta, curta, veio com serenidade: “Estou bem. Continua orando.” Foi a última vez que Heber respondeu. Pouco antes, ela havia escrito: “Você tá bem? Deus está te cobrindo. Estou orando.” Depois disso, o silêncio.
Nas mensagens seguintes, o desespero toma conta. “Te amo. Cuidado, pelo amor de Deus. Muitos baleados. Amor, me dá sinal de vida sempre que puder”, escreveu a esposa, antes de fazer várias ligações sem retorno. Às 13h33, 13h34 e 13h36, novas tentativas foram feitas — todas sem resposta. Horas depois, ela publicou nas redes sociais o print da conversa com um desabafo comovente: “E você não falou mais. E agora, o que vou falar para Sofia?”, em referência à filha do casal.
Nesta quarta-feira (29), a viúva voltou a se manifestar. Em nova publicação, lembrou que o marido morreu no mês em que a filha pequena faz aniversário: “Outubro, mês do aniversário da minha filha. E para o resto da vida ela vai lembrar do paizinho dela.”
Segundo ela, o sargento costumava repetir uma frase toda vez que perdia um companheiro de farda: “Ele dizia que tinha uma senha em suas mãos toda vez que um colega morria. Que o dia que acontecesse com ele, estaria fazendo o que mais amava.”
Heber Fonseca era casado, pai de uma menina e tinha 14 anos de serviço na corporação. Descrito pelos colegas como disciplinado, leal e comprometido, o policial participou de diversas ações em áreas de risco ao lado de companheiros como Cleiton Serafim Gonçalves, também morto na mesma operação. Ambos simbolizam, para os colegas, a coragem e o sacrifício daqueles que dedicam a vida à segurança pública.
