Com projeto sobre saberes indígenas, professora do Amazonas leva educação e sustentabilidade à COP30

“Diálogo com a Natureza”, idealizado pela professora Márcia Gomes, promove integração entre ciência e tradição indígena e vence prêmio nacional (Divulgação)

Bruno Pacheco – Portal O Login da Notícia

Com 145 anos de história, a tradicional Escola Instituto de Educação do Amazonas se reinventa por meio do projeto “Diálogo com a Natureza – Povos Indígenas da Amazônia e a Sustentabilidade”, coordenado pela professora de Biologia Márcia de Castro Gomes. A iniciativa, que valoriza os saberes ancestrais dos povos indígenas da Amazônia como resposta aos desafios ambientais globais, conquistou o Prêmio Nacional Criativos da Escola e representará o bioma Amazônia na COP30, em Belém (PA).

Com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, o projeto envolve alunos do Ensino Médio em pesquisas teóricas e de campo sobre etnias como Munduruku, Sateré-Mawé, Yanomami, Mura, Kocama, Tukano e Dessana, promovendo o contato direto com práticas tradicionais sustentáveis e a sabedoria dos povos originários.

“A iniciativa destaca a importância do diálogo entre a ciência e tradição, contribuindo para a formação de cidadãos críticos, conscientes e engajados com a preservação da diversidade cultural e ambiental da Amazônia”, afirma a professora Márcia Gomes.

Educação aliada à cultura ancestral

O projeto propõe atividades como a observação da Astronomia Tukano, estudos sobre o Sistema Agroflorestal Tradicional do Rio Negro (SAT-Rio Negro), jogos indígenas, produção de vídeos e debates com representantes indígenas. A proposta estimula o protagonismo estudantil e o pensamento crítico em torno da diversidade cultural e da conservação da Amazônia.

Reconhecimento nacional e internacional

O destaque do projeto não ficou restrito ao Amazonas. A iniciativa foi premiada nacionalmente pelo programa Criativos da Escola, do Instituto Alana, como uma das ações mais inovadoras do país na área de educação transformadora. Agora, o projeto irá representar o bioma Amazônia na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), em novembro de 2025, em Belém.

Ciência e tradição de mãos dadas

A proposta conduzida pela professora Márcia reforça o papel da escola pública como agente de transformação social e ambiental, conectando os estudantes com realidades diversas e com o papel cidadão de cuidar da floresta e das pessoas que dela vivem.

Vale lembrar que a iniciativa concorreu com outros 1.593 projetos, sendo mais de 60 mil estudantes e cinco mil educadores de 738 municípios participantes. Desses, seis projetos foram premiados na edição 2025, das cidades de Manaus (AM), Carnaíba (PE), Codó (MA), Estância (SE), Porto Alegre (RS) e Corumbá (MS).

Representando os 6 biomas brasileiros – Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal –, os projetos se destacaram pela originalidade, criatividade, protagonismo estudantil na formulação e desenvolvimento das propostas, compromisso com a preservação ambiental e potencial de transformação socioambiental, explicou o Instituto Alana.

“Ver esses estudantes representando os biomas brasileiros em atividades ligadas à COP30 é mais do que um reconhecimento, é um chamado à escuta e à ação. Crianças e adolescentes já vivenciam os impactos da crise climática em seus territórios e estão criando soluções a partir dessas realidades. Os projetos premiados mostram como essa mudança já começou nas escolas, nas comunidades e na força de quem acredita que cada ação conta na construção de um futuro mais justo, sustentável e, claro, verde”, ressalta Ana Claudia Leite, especialista em educação e culturas infantis do Instituto Alana.

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